CID-10: Principais códigos e dicas de navegabilidade

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CID é a sigla utilizada para a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, um programa da Organização Mundial de Saúde, que tem como objetivo listar e classificar doenças, sintomas, aspectos anormais, sinais, queixas e causas externas para ferimentos e enfermidades. Além de facilitar a classificação, e auxiliar no tratamento contínuo, o sistema também é utilizado mundialmente para estatísticas de mortalidade e morbilidade.

A CID é revista periodicamente, onde, de acordo com a necessidade, são feitas alterações baseadas na realidade global. A classificação compõe, junto com a CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) e com a ICHI (Classificação Internacional de Intervenções em Saúde, em português), a Família de Classificações Internacionais da Organização Mundial de Saúde, a OMS.

Propósito e Usos

De acordo com o site da OMS, a CID é:

“A base para a identificação de tendências e estatísticas da saúde em nível mundial e o padrão internacional para relatar doenças e condições de saúde. É o padrão de classificação diagnóstica para todos os fins clínicos e de pesquisa. Ela define o universo de doenças, distúrbios, lesões e outras condições de saúde relacionadas, listadas de forma abrangente e hierárquica que permite:

  • fácil armazenamento, recuperação e análise de informações de saúde para a tomada de decisões com base em evidências;
  • compartilhar e comparar informações de saúde entre hospitais, regiões, configurações e países; e
  • comparações de dados no mesmo local em diferentes períodos de tempo.”

Em relação aos usos, eles incluem o monitoramento da incidência e prevalência de doenças, observação de tendências de alocação de recursos, e acompanhamento de diretrizes de segurança e qualidade. Eles também incluem a contagem de mortes, além de doenças, lesões, sintomas, razões que levam pacientes ao consultório, fatores que influenciam o estado de saúde e causas externas de doença.

CID-10 – História e atualizações

A primeira edição de uma classificação internacional, conhecida como Lista Internacional de Causas de Morte (em tradução livre), é datada de 1893. A OMS ficou encarregada do CID em sua criação, no ano de 1948, quando publicou a 6ª edição da lista, a CID-6 (primeira vez em que a morbidade foi implementada).

De lá pra cá, novas revisões foram feitas, periodicamente, até chegarmos em 1990 com o CID-10. É interessante frisar que, até a 10ª revisão, não era prevista a possibilidade de se editar a classificação entre as revisões. Por isso, quando o relatório da Conferência Internacional para a Décima Revisão propôs que houvessem edições “intermediárias” às revisões, foram criados mecanismos para atualizar a classificação através da criação do Grupo de Referência de Mortalidade, em 1997, e do Comitê de Referências de Atualizações, no ano 2000. Desse ano em diante, o Comitê passou a receber as propostas do Grupo de Referência e dos Centros Colaboradores da OMS, avaliar cada uma delas e passar as recomendações de mudança aos diretores dos Centros Colaboradores, anualmente.

Foram definidas duas categorias de atualização: as principais e as secundárias. Na coluna das principais atualizações, encontramos a inclusão ou exclusão de códigos; a mudança de um código para diferente categoria ou capítulo e a introdução de novos termos no índice, por exemplo. Já no outro lado, temos mudanças como a correção de erros tipográficos e melhorias e correções que não alterem conceitos.

Dicas de navegabilidade

A CID-10, diferentemente das edições anteriores, é apresentada em três volumes. Vamos destrinchar cada um deles, para deixar a navegação mais fácil para você.

Volume I

O Volume I é onde você irá encontrar a Lista Tabular, que é a classificação propriamente dita. Como acontece a classificação? Vamos te explicar de uma maneira fácil de entender.

As categorias são códigos de três caracteres (uma letra e dois algarismos), que são colocadas em agrupamentos, de acordo com as semelhanças das doenças. Diversos agrupamentos formam um capítulo.

É importante falar que dentro das categorias, podemos encontrar também sub-categorias, que vão acrescentar ao código de três dígitos um ponto e um número de 0 a 9, formando assim o código completo da doença.

Veja o exemplo:

B30 é o código para conjuntivites virais. Porém, se essa conjuntivite é uma Ceratoconjuntivite devida a adenovírus, seu código será B30.0. Já no caso do paciente ter uma conjuntivite hemorrágica aguda endêmica (por causa de enterovírus) o código utilizado para descrever a doença será B30.3. Deu para entender?

Então vamos prosseguir.

Nas páginas 31 a 108 do primeiro volume encontramos o chamado núcleo de classificação, que é uma lista de códigos de três dígitos. Das páginas 111 a 1126 temos a Lista Tabular com os códigos de quatro caracteres, que são as subcategorias.

Além disso, o Volume I contém:

  • Morfologia das Neoplasias (CID-O)
  • Definições
  • Regulamento da Nomenclatura
  • Listas Especiais para Tabulações

Volume II

Neste volume, encontramos as regras e normas para os usuários da classificação. São apresentadas as seguintes partes:

  1. Introdução
  2. Descrição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde
  3. Como usar a CID-10
  4. Regras e Disposições para Codificar Mortalidade e Morbidade
  5. Apresentação Estatística
  6. Histórico do Desenvolvimento da CID

Volume III

Este volume apresenta, como na CID-9, um índice alfabético, composto das seguintes partes:

  • Seção I – Índice Alfabético de Doenças e Natureza da Lesão
  • Seção II – Índice Alfabético de Causas Externas da Lesão
  • Seção III – Tabela de Drogas e Compostos Químicos

Agora que já explicamos o que cada um dos volumes traz em seu conteúdo, fica mais fácil dar algumas dicas de uso.

A primeira delas é use todos os volumes. Ainda que um codificador (nome dado a quem utiliza os códigos) experiente possa encontrar tudo o que precisa no primeiro volume, não aconselhamos fazê-lo, pois pode levar a diversos erros. A maneira mais eficaz de utilização utilizando sempre o índice alfabético em conjunto.

A segunda dica é ler o capítulo 3 do Volume II. Este capítulo é um Manual de Instruções, com informações bem detalhadas do uso da CID. É nessa parte que é explicado como utilizar os Volumes I e III, e todas as convenções utilizadas.

A terceira dica (que na verdade são várias), vem do site do Datasus e está na imagem abaixo:

dica de uso cid-10

Principais códigos

Dizer quais são os principais códigos é algo extremamente relativo, pois cada especialidade tem as suas doenças mais comuns e, portanto, os seus códigos mais utilizados. Sendo assim, vamos colocar aqui os códigos de cada categoria, para facilitar na busca.

  • A00 – B99 – Doenças infecciosas e parasitárias
  • C00 – D48 – Neoplasmas
  • D50 – D89 – Doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários.
  • E00 – E90 – Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas
  • F00 – F99 – Transtornos mentais e comportamentais
  • G00 – G99 – Doenças do sistema nervoso
  • H00 – H59 – Doenças do olho e anexos
  • H60 – H95 – Doenças do ouvido e da apófise mastoide
  • I00 – I99 – Doenças do aparelho circulatório
  • J00 – J99 – Doenças do aparelho respiratório
  • K00 – K93 – Doenças do aparelho digestivo
  • L00 – L99 – Doenças da pele e do tecido subcutâneo
  • M00 – M99 – Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo
  • N00 – N99 – Doenças do aparelho geniturinário
  • O00 – O99 – Gravidez, parto e puerpério
  • P00 – P96 – Algumas afecções originadas no período perinatal
  • Q00 – Q99 – Malformações congênitas, deformidades e anomalias cromossômicas
  • R00 – R99 – Sintomas, sinais e achados anormais de exames clínicos e de laboratório, não classificados em outra parte
  • S00 – T98 – Lesões, envenenamentos e algumas outras consequências de causas externas
  • V01-Y98 – Causas externas de morbidade e de mortalidade
  • Z00-Z99 – Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde
  • U00-U99 – Códigos para propósitos especiais

CID-11

A CID-11 já está em processo de revisão. O primeiro rascunho da versão já está disponível para navegação (você pode clicar aqui para acessar, em inglês) e a previsão de publicação é para o ano de 2018.

E aí? Gostou do material? Ainda tem alguma dúvida sobre CID-10 que nós não sanamos neste artigo? Deixe nos comentários que teremos o maior prazer em te responder.