Aprenda a ler os códigos do CID-10 com mais facilidade

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem atualmente dois sistemas principais para classificação de doenças e estados de saúde: a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) e a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF).

A CID vem sendo aperfeiçoada desde o século XIX, passando de um documento inicialmente voltado para investigar as principais causas de mortes até assumir a forma atual, que incorporou estatísticas também de morbidade (doenças que levam a internações hospitalares ou atendimentos ambulatoriais).

A última versão atualizada da Classificação é a CID-10, adotada em 1993 pela 43ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Ela inseriu o conceito de famílias, assumindo que seu objetivo é o de atender informações diagnósticas para fins gerais, enquanto outras classificações com diferentes enfoques seriam usadas de forma auxiliar. A CID-10 também ampliou a quantidade de códigos referentes a doenças, sintomas, causas externas, lesões, distúrbios e outras condições relacionadas à saúde, permitindo uma padronização mais complexa e refinada do que as versões anteriores.

Como a CID-10 está estruturada?

A CID-10 é composta por três volumes, sendo o primeiro deles a Lista Tabular, o segundo é um Manual de Instruções e o terceiro um Índice Alfabético. A Lista constitui a classificação em si, e contém 14 mil codificações alfanuméricas referentes a diversos estados de saúde, de modo que, para cada caso, corresponde uma categoria única formada por uma letra e uma sequência de até três números. Cada capítulo corresponde a uma ou duas letras, a qual representa a primeira letra do próprio código, e é dedicado a um grupo similar de enfermidades.

O capítulo I, por exemplo, vai do A00 até o B99 e contempla “algumas doenças infecciosas e parasitárias”, enquanto o capítulo II (C00-D48) apresenta os “neoplasmas (tumores)”, e o capítulo III (D50-D89) apresentando as “doenças do sangue e dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários”. As “doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas” estão no capítulo IV (E00-E90), os “transtornos mentais e comportamentais” no capítulo V (F00-F99), as “doenças do sistema nervoso” no capítulo VI (G00-G99), e assim por diante até o capítulo XXII.

 Como o CID-10 funciona?

Cada capítulo está subdividido em grupos, categorias e subcategorias, o que representa os quatro níveis que estruturam a tabela da CID-10. Por exemplo: dentro do Capítulo I estão tuberculose (A15-A19) e infecções virais do sistema nervoso central (A80-A89), e dentro de cada um destes grupos estão as categorias específicas ou variações de sintomas, como a tuberculose de outros órgãos (A18) e a tuberculose de pele e do tecido celular subcutâneo (A18.4).

A classificação para dengue clássica, outro exemplo, está dentro do Capítulo I (algumas doenças infecciosas e parasitárias), no grupo 90-99 (febre por Arbovírus e febres hemorrágicas virais), constituindo o código A90. A subcategoria corresponde ao quarto caractere e está separada dos demais por um ponto, não sendo utilizada em todos os casos.

Quanto mais dígitos tiver o código, mais detalhada será a caracterização da doença. No total, a Lista Tabular da CID-10 é composta por 22 capítulos, divididos em 275 grupos, com 2.045 categorias e 12.451 subcategorias. A classificação é adotada por todos os países signatários da OMS e a 11ª revisão já está sendo desenvolvida.

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