PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO – Número de profissionais que trabalha em muitos serviços aumenta

Seu consultório é um empreendimento em saúde, e deve ser gerenciado como tal.

  Por Raphael Trotta

Quando terminei minha residência em Oftalmologia, me vi em um cenário muito comum para a maior parte de vocês que nos acompanha aqui no C2.0.

Depois de ficar parado por problemas pessoais durante alguns meses, estava trabalhando em três lugares diferentes, além do consultório que já tinha montado com alguns amigos, para tentar fazer meu “pé de meia” para o futuro.

O dinheiro entrava, afinal, eu morria de trabalhar em plantões e outros serviços que precisavam de profissionais aqui em BH.

Nos horários vagos eu ia para o consultório, uma inversão da qual me arrependo muito até hoje. A sensação era a de ser alguém que estava dedicando 90% do tempo para crescer o negócio de outras pessoas, enquanto apenas 10% era investido no meu próprio futuro.

Mas eu precisava juntar dinheiro para fazer o meu sonho acontecer, então fiquei por mais um tempo nessa situação.

Até que, certa vez, resolvi fazer uma tabelinha no Excel para tentar visualizar melhor o meu caminho. Imagino que vários de vocês também já fizeram uma tabelinha dessas, com as tradicionais duas colunas, uma para despesas e outra para receitas.

Coloquei tudo em ordem, levando em consideração cada um dos meus mínimos gastos diários. Percebi que tinha uma saúde financeira legal, que me permitiria acumular um certo capital para investir no meu sonho.

Aí comecei a ver que o meu problema era mais sério. Investir no meu sonho… onde o meu sonho entraria naquela tabela? Gasto? Não parecia certo. Decidi criar uma terceira coluna, de investimentos.

A primeira coisa que pensei foi que, se eu iria investir no meu consultório, eu teria que separar um dinheiro e aplicá-lo em algo que rendesse uma quantia adequada.

Então, fiz um plano de investimento, destinando a maior parte desse dinheiro para Tesouro Direto e Renda Fixa, planejando que depois de um tempo X eu teria um capital total Y.

Aí veio a segunda parte do problema: como vou transformar o capital Y em um consultório de sucesso?

A primeira coisa que veio na cabeça foi investir em um consultório top de linha, com mobília de primeira, bons salários para meus funcionários, decoração e a aparelhagem de ponta…  E o sucesso vai acontecer sozinho!

Receita de sucesso?

Será que simplesmente ter um consultório bem montado me faria ter um resultado positivo automaticamente?

Nesse período, o iMedicina, minha empresa de software, estava em um estágio muito inicial. A gente tinha um conceito interessante, mas não tínhamos capital e nem tempo para investir no projeto.

Meu sócio, Luís Eduardo, trabalhava 90% do tempo com os projetos e consultorias da empresa dele, a Íderos, e não estávamos no momento de investir no negócio conjunto, mas sim nas nossas carreiras pessoais.

Precisávamos de um pouco de estabilidade para só então colocar nossos projetos para funcionar.

Ainda bem que tive bom senso e procurei ajuda nesse momento. Eu não tinha um plano para a criação de um consultório de sucesso. Eu tinha dinheiro para montar um consultório de ponta, que poderia ou não ter sucesso. Entendeu a diferença?

Ele foi a primeira pessoa a quem recorri, naquela época. O Dudu é um cara diferenciado, que conhece o mercado e o empreendedorismo como ninguém. Tem uma formação gerencial muito sólida, e me deu meu primeiro zero assim que viu minha planilha de gastos, receitas e investimentos.

Me lembro de ouvir por quase meia hora que eu tinha cerca de 90% de chance de ter um prejuízo de mais de R$200.000,00 se eu implementasse aquilo que eu havia planejado, e que minhas teorias de mercado estavam erradas.

Apesar disso, a grande verdade é que eu não entendi nada que ele estava falando, porque estava convencido em colocar aquilo em prática, para mostrar para ele (e para mim) que eu era capaz de fazer aquilo dar certo.

Fiquei uns 3 dias com aquela conversa na cabeça, e voltei para conversar com o Dudu. Fizemos uma análise mais detalhada da situação e um fluxo de caixa previsto (na época isso era apenas um monte de “economês” sem sentido para mim). Foi aí que comecei a enxergar os números.

Não era o valor inicial que eu ia aportar na criação de meu consultório que iria mudar o meu curso de sucesso. Tampouco o valor que eu tinha de reserva ia mudar o meu futuro.

Quando vi o Dudu falando de curvas de crescimento e planejamento financeiro entendi que, pequeno ou grande, o negócio tinha que ser lucrativo desde o primeiro dia para dar certo.

Comecei a aprender o conceito de começar enxuto, ou seja, gastar dinheiro com o que teria a capacidade de me gerar dinheiro em retorno.

Por exemplo: um consultório que tivesse aluguel de R$2000,00 ou um de R$1000,00, mesmo que em um prédio não tão bom quanto o primeiro, mas na mesma região, provavelmente me daria o mesmo resultado.

Mas o que o Dudu insistia era que esses R$1000,00 da diferença eu poderia aplicar em Marketing e Comercial, investir em atendimento ao cliente, com uma secretária melhor qualificada, que poderia me gerar mais resultados que um Consultório em um prédio mais bacana.

Meu consultório, minha empresa

Depois daquele bate-papo comecei a me interessar mais por gerenciamento. Desde então, investi a maior parte do meu tempo estudando teorias gerenciais, mercado e crescimento de empresas.

Por conta disso, hoje sei (e consegui fazer muita gente no C2.0 e na xMedika entender isso também) que só se investe onde se pode conseguir resultados, ou seja: só vou gastar x reais em melhorias para meu consultório se esse valor virar 2x ou 3x, de alguma maneira.

Resolvi ver se o que eu estava fazendo valia também para mais pessoas, aqui no C2.0.

Consegui mais de 100 respostas de pessoas com menos de 10 anos de formação, em uma pesquisa que fiz entre 01/10/15 e 30/10/15 aqui no site. Veja os resultados:

  1. Mais de 80% dos profissionais trabalha em dois empregos diferentes, buscando juntar dinheiro para investir em um negócio próprio futuramente. Os profissionais restantes expressaram desejo de seguir trabalhando em plantões e clínicas de terceiros.
  2. Quando questionados sobre como aplicar dinheiro no crescimento do consultório, apenas 2% citou ações que poderiam, de fato, trazer bons resultados. Quase 80% dos profissionais citou a aparelhagem e a decoração como os “pontos de diferenciação” do consultório.
  3. Mais de 80% afirmou que o consultório, hoje, não dá o retorno esperado. Desses, 50% acredita que, com o tempo, o cenário pode melhorar.

Administração de negócios também é uma ciência como qualquer outra, e existem melhores práticas que podem transformar o futuro de um negócio.

Sei que ter muito tempo de sobra para investir em estudos de gestão de negócios não faz parte da realidade da maioria dos profissionais de saúde, mas alguns conceitos são fundamentais. Criar um plano de negócios (você pode ler sobre como criar um plano de negócios para o seu consultório neste artigo aqui)para planejamento estratégico e financeiro, realizar pesquisa de mercado e montar um plano de marketing são ações fundamentais para qualquer negócio que queira o sucesso, e não deveria ser diferente na área de saúde.

Meu consultório é minha empresa, e eu, médico, sou gestor dela.

Listei algumas perguntas principais que somos obrigados a responder quando vamos montar um plano estratégico. Esses pontos de discussão são essenciais para qualquer negócio que queira operar com eficiência.

São eles:

  1. Qual o problema do mercado que você deseja resolver com o seu negócio?
  2. Por que sua solução é a ideal?
  3. Quais serviços você pretende oferecer para entregar essa solução no seu consultório?
  4. Qual o tamanho do seu mercado?
  5. Quem é o seu público-alvo?
  6. Quem já atua no seu mercado? Como esses agentes resolvem os problemas atualmente?
  7. Qual é o seu diferencial? Qual vantagem você oferece?
  8. Quem é o seu time? Quem você precisa ter ao seu lado para entregar sua solução?
  9. Quais são os riscos do seu mercado? E as oportunidades?
  10. Quais são seus pontos fortes? E os pontos fracos?
  11. Como você vai conseguir novos pacientes?
  12. Qual o custo que você vai ter para conseguir seus pacientes?
  13. Quantos pacientes seu capital permite que você consiga?
  14. Quanto você vai receber desses pacientes? E quanto vai reaplicar do retorno?
  15. Qual é o seu plano financeiro?
  16. Qual é a previsão de retorno?
  17. O que você vai fazer se não tiver o resultado esperado?

Preparei um material introdutório sobre o assunto, em formato de e-book, para quem quiser entender mais sobre isso. Basta deixar o e-mail no formulário aqui embaixo e você receberá o link para download. É um material que pode te ajudar a fazer a mudança que sua carreira precisa!

Plano de Negócios em Saúde

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Aqui no C2.0 sabemos que esse conhecimento é fundamental para o sucesso de um empreendimento de saúde. Por isso, ao longo dos próximos meses vamos entregar mais e mais conteúdo sobre esse assunto: novos artigos, e-books e entrevistas com especialistas que me ajudaram muito na virada que dei na minha carreira. Ainda teremos novos vídeos rápidos, com dicas tops e condensadas, porque sei bem que nosso tempo é curto e escasso.

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